Indecisão

E de todas as vezes que deitei em teu sofá e fitei o móvel da tua televisão... tuas fotos, teus objetos espalhados sobre a mesa, teus sapatos no chão... Aquele criado mudo perdido no meio da sala, teu cobertor branco...


Sempre pensei quantas mais teriam deitado no mesmo lugar, observado as mesmas coisas, ouvido as mesmas palavras, acreditado.



Tenho gravado na memória cada canto do teu apartamento. E cada vez que chegava, e sentava, e deitava... E esperava por teu abraço... E me embalava pela tua voz... E ouvia atenta às tuas histórias... E te fitava, encontrando beleza até mesmo nos teus defeitos.



E tua distância de mim, me fez afastar. E toda vez que me afastei, você veio... quieto demais, atencioso demais, perfeito demais... Nocivo demais. Pedindo por atenção. Quase como se previsse que eu iria ceder às tuas tentativas.



E quando me aproximei, você se afastou... frio demais, insensível demais, confuso demais...  me machucando demais! Se esquivando de culpas, compromissos e conversas. 



Sabendo que você acertara ao buscar companhia em meus braços... Pois, mais uma vez, eu havia cedido.



tcrp