Vi você na fila. Eu indo embora, você chegando, sorrindo. Um sorriso tão juvenil que evitei me interessar. Mas me interessei e não reagi...
Um sábado qualquer, uma festa e nós dois cruzamos novamente... E então você me ocupou a noite inteira. E eu fingia não gostar, mas gostei. E fingia não querer, mas quis. E a tua ligação antes de dormir me fez ter a certeza de que eu ainda viria a querer muito mais...
E o nosso filme no domingo. E as tuas brincadeiras. E o teu jeito espontâneo... E começamos assim: você brincando de gostar de mim e eu brincando de acreditar em você.
Com o tempo me conquistou. Creio que muitas vezes eu tenha te assustado com algumas das minhas palavras, ou com todo o carinho que eu insistia em lhe dar. Você falou em não se envolver, e desse momento em diante tentei te provar toda a minha auto-suficiência amorosa.
Passamos bastante tempo juntos. Falamos sobre uma infinidade de assuntos, e eu em certos momentos tive certeza de que não estávamos compartilhando coisas em vão...
Mas você não me cobrava e em troca eu não te cobrava. E eu não te dizia palavras bonitas e você não tinha por mim gestos grandiosos… Apenas o espontâneo, algo quase que sempre beirando o trivial. Gostei de você por isso, pela franqueza das tuas limitações. E você gostou de mim pelo meu excesso de compreensão. E todas as noites antes de dormir podia esperar por teu abraço, pois sabia que no fim não havia encaixe no mundo como o nosso...
Você me procurava quando precisava de companhia. E eu te aceitava pois queria a tua companhia. Nossos encontros inconstantes e o teu desejo irreal por me ter ao teu lado acabaram por me fazer notar que a minha companhia (somente) não te bastaria nunca.
tcrp