Inesquecível

Veio manso, me abraçou e me entregou toda a doçura que poderia existir em um ser humano.

Você encarava fulminantemente o âmago dos meus olhos e me desconcertava todas as vezes. Não suportava aquele olhar tão determinado, ele me desmontava em inúmeros pequenos pedacinhos que ficavam aos teus pés… Esperando serem consertados. E eu sempre desviava o olhar. O que sentia era tão tímido e até um pouco imaturo.

Tive vontade de abandonar tantas memórias tristes depois que teus dedos tocaram meus cabelos embaraçados. Nada que me remetesse a outras histórias nem a outros amores, quis manter apenas a pessoa na qual eu havia me tornado a partir deles.

Estive disposta a construir um mundo todo do zero, caso nada do meu mundo pudesse ser salvo. Estive disposta a me reconstruir de diversas formas, caso alguma pudesse dar certo pra nós. Quis dar muito de mim, você sorriu e eu quis te entregar quase tudo.

Aproximou-se além do que deveria. Eu quis algo. Você corria em minha direção e fugia de mim ao mesmo tempo.

Então suspeitei que você quisesse nada. A certeza doeu. A certeza perfurou o meu peito e o fez ressoar madrugada adentro. Voltei alguns passos pensando se o havia entendido errado, se havia o entendido ao menos em algum momento. Tentei descobrir quem você era. Quem é. Pensei se me enganei ou se me enganou. Já não sei mais o que você disse, nem o que eu quis escutar. Já não sei o que esqueço e o que quero lembrar.

Indecisos entre o algo e o nada, talvez tenhamos sido quase importantes um para o outro. Fomos quase algo que hoje é nada. Ou é algo. Talvez eu nunca entenda. Num momento quase tudo e no seguinte nada. Tive nas mãos, segurei-o por alguns instantes. Mas nada. Nem precisa querer, é só não conseguir em momento algum lutar contra. Eu quis algo. Quis protegê-lo e sabia que poderia fazê-lo mesmo quando não conseguia proteger sequer a mim mesma.

Fui acometida por uma catalepsia quase moral, ficar imóvel era uma dívida que eu precisava pagar à mim mesma. Precisava parar de escutar teu nome tocando no meu celular, me mandando mensagens, me dizendo coisas bonitas. Perdoe-me se precisei fazer de conta que nunca fomos parte um do outro. Uma hora a gente se encontra e vai ser tudo igual e tudo completamente diferente. Depois se perde de novo, porque é provável que não sejamos mesmo um par.

Contabilizei se você mais curou do que abriu feridas, tive medo de saber o resultado.


tcrp







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